Um cartão vermelho revisado pelo VAR, uma reclamação formal do Egito na Fifa, árbitros ingleses proibidos de apitar jogos da Argentina e uma pergunta ecoando nas redes: quem a arbitragem vai "ajudar" a chegar à final? A semifinal entre Argentina e Inglaterra, nesta quarta-feira (15), às 16h (de Brasília), em Atlanta, chega ao apito inicial cercada por acusações de favorecimento que a Fifa já foi obrigada a rebater publicamente.

Ninguém apresentou prova de manipulação, e a Fifa nega tudo com veemência. Mas a sequência de episódios criou o ambiente perfeito para a teoria da "semifinal armada" ganhar tração entre torcedores ingleses, egípcios e suíços. Entenda, lance a lance, de onde veio a desconfiança.

O lance que incendiou a internet: a expulsão de Embolo contra a Argentina

A gota d'água veio nas quartas de final, na vitória argentina por 3 a 1 sobre a Suíça, em Kansas City. Aos 72 minutos, o árbitro português João Pinheiro mostrou amarelo para Leandro Paredes após entrada em Breel Embolo. O VAR chamou revisão e o cenário virou de cabeça para baixo: a conclusão foi que Embolo simulou o contato.

Resultado: o cartão de Paredes caiu e quem foi punido foi o atacante suíço, que já tinha amarelo e acabou expulso. A Suíça ficou com 10 jogadores apenas quatro minutos depois de empatar o jogo em 1 a 1 com Dan Ndoye. Na prorrogação, Julián Álvarez marcou um golaço de fora da área aos 112 minutos e Lautaro Martínez fechou o placar.

Nas redes, a leitura de parte da torcida foi imediata: assim que a Suíça empatou, veio o vermelho. A palavra "rigged" (armado, em inglês) dominou as reações.

O Egito já tinha reclamado antes, oficialmente

A polêmica com a Suíça não nasceu no vácuo. Nas oitavas de final, a Argentina venceu o Egito com gol de Enzo Fernández nos acréscimos, em partida apitada pelo francês François Letexier. Os egípcios contestaram dois lances: um gol anulado e uma possível falta em Mohamed Salah, não revisada, na origem do gol da vitória argentina.

O Egito protocolou reclamação formal na Fifa. O técnico Hossam Hassan foi além e tratou o jogo publicamente como armação, enquanto jogadores egípcios reclamaram abertamente da arbitragem.

"Quem o árbitro vai ajudar a chegar à final?"

O detalhe que dá o tom da semifinal: a revolta dos torcedores não poupa nem a Inglaterra. Parte da torcida neutra acusa a arbitragem de ter beneficiado os ingleses na vitória sobre a Noruega nas quartas, e a ironia que viralizou resume o clima: se os dois chegaram à semifinal "empurrados" pelos árbitros, resta saber quem será empurrado até a decisão.

Ou seja, a teoria da "Copa armada" virou um jogo de espelhos em que cada torcida enxerga o favorecimento do rival, nunca o próprio.

O ingrediente geopolítico: ingleses estão proibidos de apitar a Argentina

Para completar o caldeirão, existe uma camada que pouca gente conhece: a Fifa não escala árbitros ingleses em jogos da Argentina, nem argentinos em jogos da Inglaterra. O protocolo existe por causa da Guerra das Malvinas, o conflito de 1982 entre Reino Unido e Argentina que segue como ferida aberta entre os dois países.

Na prática, isso tirou da disputa pela semifinal dois dos árbitros mais prestigiados do Mundial, os ingleses Michael Oliver e Anthony Taylor, ambos impedidos de trabalhar em qualquer jogo dos argentinos. A Fifa aplica a mesma regra a outros confrontos sensíveis, como Rússia x Ucrânia.

E tem mais: a Fifa decidiu não punir a torcida argentina pela música provocativa sobre as Malvinas entoada nos estádios durante o Mundial, e proibiu torcedores ingleses de exibir bandeiras com fuzis nas arquibancadas, tradição britânica de homenagem a soldados mortos. Cada decisão dessas virou lenha na fogueira de um lado ou de outro.

O que diz a Fifa sobre as acusações

A entidade rebateu as teorias de conspiração pela voz de seu chefe de arbitragem, Pierluigi Collina. O italiano afirmou que ninguém pode alegar que a arbitragem da Fifa sofre influência de quem quer que seja e defendeu que os árbitros tomam decisões honestas, errando e acertando como jogadores e técnicos.

Até aqui, nenhuma análise independente apontou evidência de manipulação. O que existe, de concreto, são lances polêmicos interpretados de forma oposta por cada torcida, o combustível mais antigo do futebol.

Rivalidade que dispensa apresentação

Como se faltasse tempero, Argentina x Inglaterra carrega a rivalidade mais simbólica das Copas: a "mão de Deus" e o gol do século de Maradona em 1986, a expulsão de Beckham em 1998, o pênalti da revanche em 2002 e o pano de fundo permanente das Malvinas. É a primeira vez que as duas seleções se enfrentam valendo vaga direta em uma final de Copa do Mundo.

O técnico argentino Lionel Scaloni já tentou baixar a temperatura, pedindo que o duelo seja tratado como uma partida de futebol, nada além disso. As autoridades americanas prepararam esquema de segurança reforçado em Atlanta.

Ficha do jogo: Argentina x Inglaterra

CompetiçãoSemifinal da Copa do Mundo 2026DataQuarta-feira, 15 de julho de 2026Horário16h (horário de Brasília)LocalAtlanta, Estados UnidosTransmissãoGlobo, SBT e CazéTV

Perguntas frequentes (FAQ)

Por que ingleses estão falando em "semifinal armada"?

Por uma soma de episódios: a expulsão polêmica de Embolo via VAR em Argentina x Suíça, a reclamação formal do Egito contra a arbitragem nas oitavas e acusações de torcedores de que tanto Argentina quanto Inglaterra teriam sido beneficiadas por decisões dos árbitros no mata-mata. Não há qualquer prova de manipulação, e a Fifa nega as acusações.

O que aconteceu no lance de Embolo contra a Argentina?

O árbitro João Pinheiro deu amarelo em Paredes por falta em Embolo, mas o VAR concluiu que o suíço simulou o contato. Embolo, que já tinha amarelo, recebeu o segundo cartão e foi expulso, deixando a Suíça com 10 jogadores quatro minutos após empatar o jogo.

Por que árbitros ingleses não podem apitar jogos da Argentina?

Por um protocolo geopolítico da Fifa criado por causa da Guerra das Malvinas (1982). A entidade não escala árbitros ingleses em partidas da Argentina, nem argentinos em jogos da Inglaterra, para evitar questionamentos de imparcialidade.

O que a Fifa respondeu sobre as acusações de favorecimento?

O chefe de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, negou qualquer possibilidade de influência externa sobre os árbitros e afirmou que as decisões são honestas, com erros e acertos naturais do jogo.

Quando e onde assistir Argentina x Inglaterra?

Nesta quarta-feira (15), às 16h (horário de Brasília), em Atlanta, com transmissão de Globo, SBT e CazéTV. O vencedor disputa a final no domingo (19), às 16h, contra França ou Espanha.